terça-feira, 20 de julho de 2010

Canção do último pensar

O desastre é imaginário.
Puramente idealizado
na mente dos suicidas.

Os suicidas são os
que veem o mundo
na verdade crua.

E já não podem
mais se enganar
na ilusão de
menina pura.

Ao som das vagas,
tragédia!
No outono de folhas
doentes,
comédia!

Se não a vida
um teatro, um
cinema.
Se não a vida
uma vírgula na
crônica do Universo.

E longe de toda
as abominações,
viaja a merencória
canção. Rasgando em
noite utópica o
dia de guerra.
A canção do
último pensar.

Das últimas estrelas
a rezar pela volta
do poeta...

20/07/2010 - Caio Augusto Leite

quarta-feira, 7 de julho de 2010

CAZUZA

20 Anos

Ontem ao ouvir
sua voz serena,
louca, grito
transgressor.
Pensei no futuro,
futuro que não pode
ter. E que faltou
pra preencher o vazio
que há no espaço
que ocupou.

Ontem senti sua
presença, vi
sua bandana
pendurada na porta.
E seu jeito de falar
calmo quase rimando.

Pude sentir cada passo
da tua dança, a dança
da vida. Sua presença
ainda me completa
nessa impaciência
minha de te encontrar.

Faz algum tempo
que partiu.
O poeta, trovador
da dor.
O lutador
invencível,
invisível
à todos perigos
de viver.

Ontem eu chorei
uma lágrima
solitária.
Um pequeno
gesto de pesar
e saudade.

Se a saudade
é o amor
de quem está
longe.
Estou cheio
de amor.

A cada minuto
que paro
pra te escutar.
Sempre valerá
a pena.
Exagerado poeta
de Ipanema.

Caio A. Leite - Daqui até a eternidade, num trem para as estrelas...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago

Sarau Amargo

O mar calmo de vagas límpidas. O sol poente no horizonte mais que poético. No isolado de oceano as ilhas de cães ladrando. O último sol resplandeceu, na mesa os últimos livros lidos, o último romance a ser escrito. Querendo ou não a vida levou-te para campos lindos, não mais belos que os campos de Portugal, do fado, das Tágides e de Camões.
No entendimento pouco que tenho sei do peso da partida, dos pensamentos diretos e imedidos. Voou o poeta-romancista para aonde eu não sei. Viajou para onde dormem os antigos trovadores, desenhando agora poesias para o infinito cosmo.
O que não vê não ama, e se ama pura e fielmente: já não vê. Dou um bandeirola branca amarrada em teu barquinho, que singrará sete céus, contando sobre a vida dos amores inteiros e das dores não vistas.
Vai um dos últimos grandes prosadores, vai uma das últimas mentes abertas ao vácuo da não-entendibilidade do ser.
No último arrebol da tarde quente ao hispânico som da maresia verteu o corpo em poesia, virou estrela na constelação de auras místicas. Cada entonação em mel destoava palavras com subjetivo gosto amargo, aos meninos portugueses que jamais te conhecerão lembrarei teu nome Saramago.

Caio Leite 18/06/10

sábado, 12 de junho de 2010

Algo assim

Céu

Há o céu, mas também não tem.
Os medos são meus, de mais
ninguém.
Quando o céu voltar,
me mandem uma carta,
um cartão-postal;
qualquer coisa
assim.
Quando o amor
renascer não
demorem tanto
venham pessoalmente
no meu refúgio
a boa-nova trazer.
Mas se nada disso
acontecer, me deixa só.
Me deixe andar por aí,
sonhando e cantando
pra poder me perder
de tanto engano.

Caio Leite

domingo, 6 de junho de 2010

Maysa 74



À Maysa

Que olhos, que voz, que vazio
Que dor, que saudade.
Da tua ausência, da tua vida
que lúgubre partida.
Volta nessa tarde triste
e me impera com seus orbes
de cristal em riste.
Falta fôlego, falta ar.
Falta palavras, adjetivos,
verbos, substantivos,
pra te coroar.
Que vazio, que dor.
Fostes tão rápido
nem me esperastes,
na minha casa o canto.
O cantar do seu amor.
Como cantou. Como amou.
Como viveu, linda, passional.
Sublime, triste e só.
Só numa multidão de amores,
numa multidão de carnaval.
Meu Deus! Por que levastes?
A pérola carioca da gema,
que envolve com voz cálida,
nos meus braços uma algema.
Sinto tanto, cheguei atrasado,
tarde demais, ao nascer,
o corpo foi levado.
Mas o canto, e o olhos de Maysa.
Me acompanharão sempre,
ela, eu e a brisa.

06/06/36 - Meu amor por você é imenso demais!

sábado, 5 de junho de 2010

O azul

O futuro é o cantar dos pássaros.
Livres e sem medo.
O vento frio corta o ar.
E regenera a esperança.
Penso num mundo lindo,
com muito azul.
Pois o azul é a cor
que me acalma.
E quando calmo,
volto a existir.

Caio Leite

Algumas palavras...

Meus cabelos estão compridos novamente, esse é o sinal do tempo passando, no vento outonal. Eles voam no sentido efêmero. Sou passado. Não vi o hoje. O tempo passou, meu rosto envelhece rápido, sou uma sombra do que já fui. Estou cheio de dor-de-cotovelo, eu tô cheio de amor secreto. Preciso cortar o cabelo... E não mais olhar no espelho, pois o tempo é cruel e eu respeito. A velhice dos meus versos só provam o quanto tenho a aprender.

Caio Leite