sexta-feira, 4 de maio de 2012

Não amo mais


Quando amo,
todos os olhares
tendem à solidificação.
Medusa apaixonada.

Não amo mais.

Que coração ousará
nesse silêncio?
Acordará a doce fera
e seus caprichos?

Não quero, não.
Deixe tudo serenar.
Vida violenta
que se debate nas paixões.

Vibrações, terremotos,
espasmos de ciúmes.
Todas essas coisas
que minam a paciência.

Quero distância,
por isso apago as luzes
desses olhos cansados.

Não amo mais.

Sou triste e assumo.
O amor dói o mundo
e ainda o cria.

Mas eu desconfio sempre,
tímido e obervador,
não creio mais no amor.

Não amo mais.

- Caio Augusto Leite

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Repartição de homens


Ônibus cheio,
peito vazio.
Céu azul,
só vejo teto.

Pelos corredores dessa repartição
os homens esquecem do lá fora.
Nos sonhos uma mesa vazia,
no lugar do coração uma pasta-arquivo.

- Caio Augusto Leite

ROSA


Camadas e mais camadas
de subordinações.
E lá no cerne do ser
uma fagulha rebelde.

Átomo de liberdade,
que num átimo de ilusão
encobre toda a máquina.

Em cobre que é suspenso,
posto em greve
pela anti-engrenagem:

É a rosa imanente
que traga o metal,
os corações batem novamente.

- Caio Augusto Leite

Improváveis amores


Amo a crítica,
amo os faladores.
Os que cutucam a ferida,
os chatos de galocha.

Só haverá inquietação
com perturbação.
Não gosto do silêncio,
dos lagos serenos.

Revolvam a minha lírica,
joguem pedras,
façam ondas,
façam marés.

Não gosto de passar em branco,
sem riso, sem choro, sem xingo.
O poema que não causa nada,
é o fracasso maior, nem chegou a ser.

Amo a crítica,
mas amo mais a lágrima
de comoção que quebra qualquer
movimento de negação pra cima de moi.

- Caio Augusto Leite

quarta-feira, 2 de maio de 2012

De presente, o futuro


Mas não quero presente,
pra quem teve esse passado,
ter um futuro já é lucro.

Numa caixa,
fita de cetim,
papel dourado.

O amanhã me acena
com as luzes da aurora.
As coisas boas estão ali,
ainda estão porvir.

- Caio Augusto Leite

Adeus


Adeus, a palavra voou no ar
e colidiu no coração.
Formou-se um cogumelo
de fumaça,
rosa mortal.

Nada mais ficou,
empobreceu o solo,
matou as flores,
queimou as cores.

Nunca mais nasceu amor ali,
onde explodiu com força
o adeus atômico.

Sem entender nada,
fiquei atônito.
Nunca mais paixão,
nunca mais os sonhos.

- Caio Augusto Leite

terça-feira, 1 de maio de 2012

A fita


A fita envolve o corpo da ginasta
- colorida, ágil, hipnotiza -
gira,
gira,
baila,
breca.

Sobe,
some,
cai,
precisa.

Devota menina,
quase bailarina,
ao som da música,
por ela escolhida.

Tão bela fita,
afável,
amável,
bonita.

Queria eu teu abraço,
de multi face colorida.
Como o dessa fita
que envolve o corpo da menina.

- Caio Augusto Leite