Não houve tempo para reações
o pivete da R. São Bento rápido surgiu.
Pegou a bolsa da senhora de verde abacate
e correu o máximo que pôde.
Dentro nada de muito útil:
Um celular antigo, um batom gasto,
lenços de papel, a foto de um homem
(no verso - Gerson meu amor).
Havia ali outras pequenezas - tudo lixo...
- Aquela vagaba não tinha porra nenhuma nessa cart..
nessa bolsa.
Um olhar e lá a dona passando novamente:
Um correr, uma lâmina afiada o sangue em jatos.
E lá, lá no longe tão perto de nós morria a frágil mulher.
O crime era não ter crime e julgada pois não pagara a fiança.
Em algum lugar o telefone tocou...
- Alô quem fala? - Gerson atendeu
[...]
- Minha Rita, morta?
E desferida a notícia como uma bala,
a realidade caiu como uma bomba de revolta.
Deu na TV, deu no rádio, deu no jornal.
(A dor só persistiu em quem a conhecia.)
Pouco importou - depois de uma semana
era outra a senhora que morria naquela mesma rua
com seu vestido de chita - não era organdi...
... e eu mesmo não mais lembro, pois a rapidez dos outros fatos já me fizeram esquecer...
- Caio Augusto Leite