quarta-feira, 4 de abril de 2012

Papo au café

- Je suis...
- Jesus?
- Não, é francês...
- Jesus era francês?
- Não. É "eu sou"...
- Você é? Não sabia.
- Mas eu não sou!
- Não é o quê?
- Francês!
- Mas você falou que era!
- Jesus!
- Je suis?

- Caio Augusto Leite

Desprendimento

O que era meu logo se torna Todo.
Nada ficará resguardado no egoísmo humano.
Tudo é interação, tudo se compartilha.

Meu, possessivo que não há.

Os livros, os beijos, as pratas.
Nada é nosso, tudo emprestado.
Faça bom uso, melhore as coisas.
As coisas que não se prendem a nada...

Antes da morte devolva as maravilhas.
Que da vida, da breve vida
não se leva nada, apenas deixa-se:

- Deixo discos, carinhos, versinhos.
Deixo um bilhete de despedida.

- Caio Augusto Leite

terça-feira, 3 de abril de 2012

Densidade

Tudo é contenção, panela interior.
Mas um dia explodo num lirismo atômico.

-Os poetas frágeis cairão.

- Caio Augusto Leite

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ausência

Ainda bem que voaste, pequeno inseto.
Sabe lá se outro te pouparia como te poupei.
Ainda bem que fugiste, inseto.
A vida é breve e a hesitação mata...

Ainda bem que eu não me apaguei, inseto.
Não fiz juras de amor eterno.
Ainda bem que voaste, pequeno inseto.
Você lá sabe o risco de amar?

Ainda bem, ainda bem que você voou.
Mas, ah inseto, preciso confessar:
queria você aqui, meu bem.
Minha vida ficou tão vazia.

Mas que tristeza,
que pesar tão grande,
que pena que você voou,
que você voou, minha borboletinha...

- Caio Augusto Leite

Os que não encontraram o amor

A chuva, o estádio cheio,
os olhos no gol
o chute de consagração...

A prova, as questões,
o gabarito por pintar
momento de tensão...

As últimas peças do quebra-cabeça,
a linda imagem que se forma,
mas passa um furacão...

E o gol não entra,
e a caneta estoura
e falta uma peça...

... quem não ama vive assim...

Na expecativa do abraço,
na tensão do beijo,
na falta de um pedaço...

- Caio Augusto Leite

Não-militar

Queriam que eu fosse soldado,
mas é que em mim não rugem armas.
Queriam-me fazer escravo
mas em mim não canta a chibata.

Sim! Essa obrigação de mundo
me dói, me cansa, me desfolha.
Não! Eu não vou querer medalhas
e nem os louros da vitória.

Invés de brasões, quero rosas.
E no lugar da farda, toga.
Nas minhas mãos anéis e fitas.

Ah! mas se as bombas me explodirem
eu viro história, viro festa.
Pois não sou reco, sou poeta.

- Caio Augusto Leite

sábado, 31 de março de 2012

Cruzes, crises, crases

- Te amo.
- Cruzes!

- A vida vai mal.
- Crises!

- Vou à Roma.
- Crases! Não sei usá-las...

- Cruzes! Eu também não.
- Te amo.

- Que crise! Só agora fala?
- Pois é, vamos à Roma?

- Com crase ou sem?
- Sei lá. Vou com você, nada mais preciso.

- Caio Augusto Leite